PELAGEN DOS EQUINOS

Med. Vet. Marcelo G. Silveira Netto

 



A pelagem negra é a mais rara no Cavalo Árabe.
A ABCCA já registrou, em mais de 70 anos, 40.000 cavalos Puro Sangue Árabe, destes apenas 83 animais são registrados como de pelagem Preta, ou seja apenas 0,2 %.
A raridade desta cor nos cavalos é devida a uma conbinação de varios genes como será explicado no artigo ao lado.
O garanhão PSA que teve mais filhos pretos segundo o Stud Book, é SN Africano, cavalo de nossa criação. Negatiw Greca, seu filho, promete supera-lo pois cruzado com eguas tordilhas produziu 70% de Negros.

GENÉTICA DAS PELAGENS NOS CAVALOS

A pigmentação da pele, pelos e olhos dos cavalos encontram-se em células denominadas melanócitos e TODAS as pelagens possíveis de um cavalo derivam de unicamente dois pigmentos. O primeiro pigmento dá origem a pelagem negra e é denominado eumelanina e o segundo pigmento da origem a pelagem vermelha (alazão) e é denominado faeomelanina. Através da atuação de genes restringindo, diluindo, sombreando, encobrindo e misturando estes pigmentos são originadas as diversas pelagens existentes.

Eumelanina e Faeomelanina - Preto/Zaino E - Alazão e

Como vimos acima não importa a pelagem final de um eqüino, todas começam com os pigmentos negro – eumelanina, ou vermelho – faeomelanina.
O pigmento eumelanina responsável pela pelagem negra é dominante em relação ao vermelho e caracterizado genéticamente pela letra E. Assim para um indivíduo ter a pelagem negra é necessário ter em seu genótipo pelo menos um gene E, podendo ser homozigoto EE ou heterozigoto Ee. Os indivíduos alazões (tostados) ao contrário sempre deverão ser homozigotos recessivos ee, por este motivo o acasalamento de dois indivíduos alazões sempre gerará somente filhos alazões, não havendo outra possibilidade de pelagem.
Conforme poderemos ver nos quadros abaixo do cruzamento de indivíduos de pelagem preta, sendo estes heterozigotos, poderão resultar indivíduos tanto de pelagem preta (75%) ou alazã (25%). Já do cruzamento de dois indivíduos de pelagem alazã a totalidade da progênie (100%) será alazã, no caso de preto heterozigoto cruzado com o alazão 50% da progênie será preta e 50% alazã. Se os pretos forem homozigotos, logicamente a totalidade (100%) da progênie será negra.

Genótipo / Fenótipo
EE = Preto/Zaino
Ee = Preto/Zaino
ee = Alazão

- Genes Diluentes

Gene Diluente A (Agouti) – Castanho
O gene diluente A (Agouti) é responsável pela pelagem castanha nos cavalos. Este gene atua restringindo a ação da eumelanina, no corpo do animal, que adquire a coloração vermelha, somente atuando a eumelanina e se observando a coloração negra, nas extremidades (crinas, cabos ,cerdas). É dominante em relação a eumelanina e representado pela letra A, sendo o seu alelo recessivo a, portanto um animal para apresentar a pelagem negra deverá ser obrigatoriamente homozigoto recessivo para este gene, genótipo aa. O gene diluente A não exerce nenhuma influência sobre a faeomelanina, não tendo nenhuma alteração na sua expressão fenotipica. Isto significa por exemplo que um cavalo alazão pode ser portador do gene diluente A e transmiti-lo a seus descendentes.
No quadro seguinte descrevemos os genótipos de animais pretos/zainos, castanhos e alazões.

E_aa – Preto/Zaino
ee__ - Alazão
E_A_ - Castanho

Pelas possibilidades de dissociação genética, sabemos que da cruza de dois animais Pretos/Zainos não podemos obter animais castanhos, assim como da cruza de dois animais alazões não obtemos estes animais, porém a cruza de um preto/zaino e um alazão poderá originar animais colorados e a cruza de animais castanhos origina as três pelagens, preta/zaina, castanha e alazã.
Para melhor visualizarmos este caso apresentamos a seguir o quadro de dissociação genética do cruzamento de indivíduos heterozigotos para os dois genes e as possibilidades de filhos resultantes.

25% alazões
18,75% Pretos
56,25% castanhos

Pela dissociação acima percebemos que a tendência das populações, dependendo lógicamente dos pais selecionados, é de uma maior frequência de animais castanhos em relação a alazões e pretos e que a maior parte dos animais é heterozigoto para os genes acima descritos, podendo nas gerações seguintes gerar animais de diferentes fenótipos.

Gene Diluente Creme Ccr – Baio, Palomino

Este gene tem por característica não existir uma relação de dominância completa entre os alelos, porém a sua presença em estado de homozigose Ccr Ccr, ou heterozigose C Ccr, irá estabelecer o grau de diluição possuindo um efeito aditivo.
Em estado de heterozigose ( Ccr) este gene desbota a pelagem negra (E_aaCCcr), sobre animais colorados este gene em heterozigose (E_A_CCcr) produz o baio cabos negros e sobre o alazão (ee__CCcr) produz o alazão ruano, numa tonalidade que geralmente é diluida a amarela originando o baio crinas brancas, denominados palominos. É interessnte que se saiba que estes animais genéticamente são alazões e que do acasalamento entre indivíduos desta pelagem são produzidos alazões sólidos (25%), palominos(50%) e animais de coloração creme ou cremellos (comumente chamados de brancos 25%). Estes animais homozigotos ee__CcrCcr, são frequentemente utilizados em criatórios onde o palomino tem uma valorização econômica, pois de seu acasalamento com animais alazôes sólidos, 100% dos produtos serão palominos.
A presença deste gene em estado de homozigose, dilui severamente as três pelagens (negra, alazão e castanha), produzindo animais de uma pelagem chamada de creme, pérola ou marfim, sendo muito difícil a sua diferenciação.
Estes animais são frequentemente confundidos com os albinos, sendo um erro esta avaliação. Campeiramente são chamados de brancos, sendo comum o seu nascimento em manadas onde ambos os progenitores são baios.

Clareamento do cavalo Alazão

Alazão crcr capa vermelha crinas vermelhas ou claras
Palomino
Crcr
capa amarela
crinas de creme ou brancas
Cremello
CrCr
capa creme
crinas brancas

Clareamento do cavalo castanho

Castanho crcr capa vermelha ou marron crinas negras
Bayo
Crcr
capa amarela
crinas de negras
Perlino
CrCr
capa creme
crinas alvas, olhos azuis

Clareamento do cavalo negroPerlino CrCr capa creme crinas alvas ou creme olhos azuis

Negro crcr capa negra crinas negras
Negro Fumaça
Crcr
capa negra ou marrón
crinas negras ou marrons
Creme Fumaça
CrCr
capa creme
crinas alvas ou creme, olhos azuis

Genes da Série G (Gray) Tordilho

O alelo dominante da série G é responsável pela pelagem tordilha (Foto 13A). Quando acontece na forma homozigota (GG) ou heterozigota (Gg) em qualquer dos genotipos, já estudados ou que ainda serão citados, o animal nascerá com a pelagem determinada por esse genótipo e terá aparecimento gradativo de pêlos brancos até se tornar completamente branco.

A ação do G é impedir que o pigmento produzido pelo melanócito (célula produtora da melanina) seja distribuído para o pêlo. Esse pigmento se acumulará dentro da célula e migrará para as extremidades do corpo. Em conseqüência desse acúmulo gradativo de pigmento nas células das extremidades, alguns autores sugerem que o gene da pelagem tordilha (G) predisponha a uma patologia denominada "melanose". Essa suspeita, entretanto, ainda não teve comprovação científica.

Outra particularidade deste alelo é seu efeito somativo, ou seja, na forma homozigota (GG), o clareamento da pelagem será mais rápido que na forma heterozigota (Gg).É importante ressaltar também que o G é um gene epistático sobre todos os outros, ou seja, sempre vai se manifestar no fenótipo quando estiver presente no genótipo, levando a um clareamento gradativo da pelagem, e nunca será mascarado por nenhum outro gene. Então, um animal para ser tordilho terá, obrigatoriamente, um de seus pais também tordilho.

O animal com o genótipo GG clareará mais rapidamente do que o de genótipo Gg.

Do acasalamento de dois reprodutores tordilhos com clareamento rápido, tem-se 100% da progênie também de pelagem tordilha.

GG x GG =100% Tordilhos

Do acasalamento de dois reprodutores tordilhos de clareamento lento, 75% dos potros nascerão de pelagem tordilha.

Gg x Gg = 25% GG (Tordilhos) 50% Gg (Tordilhos) 25% gg (outra pelagem)

Do acasalamento de um animal tordilho de clareamento rápido com outro de qualquer outra pelagem, 100% dos produtos serão de pelagem tordilha de clareamento lento.

GG x gg = 100% Gg (Tordilho)

Do acasalamento de um animal tordilho de clareamento lento com outro de qualquer outra pelagem, 50% dos potros serão também de pelagem tordilha.

Gg x gg = 50% Gg (Tordilho) 50% gg (outra pelagem)

Por seu efeito epistático, sempre que o alelo G estiver presente no genótipo, o animal será de pelagem tordilha e, portanto, um eqüino de pelagem tordilha terá, obrigatoriamente, um de seus pais também depelagem tordilha.

Genes da Série G (Gray) Tordilho

O alelo dominante da série G é responsável pela pelagem tordilha (Foto 13A). Quando acontece na forma homozigota (GG) ou heterozigota (Gg) em qualquer dos genotipos, já estudados ou que ainda serão citados, o animal nascerá com a pelagem determinada por esse genótipo e terá aparecimento gradativo de pêlos brancos até se tornar completamente branco.

A ação do G é impedir que o pigmento produzido pelo melanócito (célula produtora da melanina) seja distribuído para o pêlo. Esse pigmento se acumulará dentro da célula e migrará para as extremidades do corpo. Em conseqüência desse acúmulo gradativo de pigmento nas células das extremidades, alguns autores sugerem que o gene da pelagem tordilha (G) predisponha a uma patologia denominada "melanose". Essa suspeita, entretanto, ainda não teve comprovação científica.

Outra particularidade deste alelo é seu efeito somativo, ou seja, na forma homozigota (GG), o clareamento da pelagem será mais rápido que na forma heterozigota (Gg).É importante ressaltar também que o G é um gene epistático sobre todos os outros, ou seja, sempre vai se manifestar no fenótipo quando estiver presente no genótipo, levando a um clareamento gradativo da pelagem, e nunca será mascarado por nenhum outro gene. Então, um animal para ser tordilho terá, obrigatoriamente, um de seus pais também tordilho.

O animal com o genótipo GG clareará mais rapidamente do que o de genótipo Gg.

Do acasalamento de dois reprodutores tordilhos com clareamento rápido, tem-se 100% da progênie também de pelagem tordilha.

GG x GG =100% Tordilhos

Do acasalamento de dois reprodutores tordilhos de clareamento lento, 75% dos potros nascerão de pelagem tordilha.

Gg x Gg = 25% GG (Tordilhos) 50% Gg (Tordilhos) 25% gg (outra pelagem)

Do acasalamento de um animal tordilho de clareamento rápido com outro de qualquer outra pelagem, 100% dos produtos serão de pelagem tordilha de clareamento lento.

GG x gg = 100% Gg (Tordilho)

Do acasalamento de um animal tordilho de clareamento lento com outro de qualquer outra pelagem, 50% dos potros serão também de pelagem tordilha.

Gg x gg = 50% Gg (Tordilho) 50% gg (outra pelagem)

Por seu efeito epistático, sempre que o alelo G estiver presente no genótipo, o animal será de pelagem tordilha e, portanto, um eqüino de pelagem tordilha terá, obrigatoriamente, um de seus pais também depelagem tordilha.

 

Genes da Série A (Aguti)

Os alelos desta série são responsáveis pela produção da feomelanina, que determina clareamento da pelagem em áreas específicas. Dessa forma, se o animal estiver produzindo pigmento preto (B_) e o gene para feomelanina estiver presente no genótipo, determinadas áreas da pelagem serão de coloração vermelha e se o pigmento produzido for vermelho (bb), a presença da feomelanina tornará áreas especificas de tonalidade amarelada.
Na série A deve-se considerar, em ordem de dominância, os aleLos relacionados a seguir:

A+, A, a+,a
Determina clareamento que fica restrito às áreas da cabeça, flancos e focinho.

B_A+ Na presença de B, alelo responsável pela produção do pigmento preto, o
determina a pelagem conhecida como Castanha Pinhão. O animal terá produção do pigmento preto, com clareamento (tonalidade avermelhada) na cabeça, flanco e axilas (Foto 10E).

BbA+ Pelagem vermelha com áreas amareladas na cabeça, flanco e axilas.

A Clareamento de toda a cabeça, pescoço e tronco.

B_A Pelagem Castanha: o animal terá crina, cauda e membros pretos demonstrando a presença do B_ no genótipo. O alelo A provoca clareamento da pelagem na cabeça, pescoço e tronco, tornando o pigmento de tonalidade avermelhada (Foto l0A).

bbA_ Pelagem alazã sobre baia. Com esse genótipo o animal vai se apresentar com crina, cauda e membros vermelhos, pois o pigmento produzido será o vermelho (alelo b em homozigose), mas a presença do A no genótipo provoca clareamento nas regiões da cabeça, pescoço e tronco, tornando a pelagem dessas regiões de tonalidade amarelada
Este alelo determinava a pelagem dos cavalos selvagens da Mongólia (raça Pzerwalsky), mas essa raça entrou em extinção e com ela desapareceu. e pescoço, sendo o alelo a+ também aa Ausência de clareamento.

 

Genes da Série C (Color)

Apesar de ser a terceira letra do alfabeto, não se pode deixar de mencioná-la em primeiro lugar, devido a sua importância. Nesta série tem-se o alelo dominante C e o recessivo c. O C é responsável pela produção do pigmento melânico, pois permite que a reação bioquímica, descrita a seguir, aconteça em todas as suas etapas:

Tlrosina +Dopa tiroslnase+cobre Melanóide + Proteína =MELANINA

Na presença do alelo recessivo e, na forma homozigota (cc), o animal é incapaz de formar o pigmento denominado melanina, por uma deficiência da enzima tirosinase. A reação descrita não se completa. Esses animais são chamados de albinos e possuem pêlos brancos, pele e olhos róseos, pois o sangue é visualizado por transparência. O verdadeiro albino é observado nos coelhos e ratos. Na espécie eqüina nunca foi descrito nenhum animal com deficiência total de pigmento melânico. Os cavalos conhecidos como albinos possuem na verdade deficiência de produção da melanina e não ausência total e deveriam, portanto, ser denominados Pseudo albinos (Foto 7A). Apesar de possuírem pêlos brancos e pele rósea, sempre apresentam olhos coloridos (castanhos ou azulados), o que demonstra deficiência de pigmentação e não ausência total. Além disso, algumas regiões do corpo podem se apresentar pigmentadas. De acordo com Castle, os mecanismos genéticos que resultam esses animais não estão relacionados com os genes da série C e serão mencionados oportunamente.

Genes da Série B (Black)

Os alelos desta série, B e b, são responsáveis pela cor do pigmento produzido. O B, dominante, quando acontece no genótipo nas formas homozigota (BB) e heterozigota (Bb), determina que o pigmento produzido seja preto. Seu alelo recessivo em homozigose (bb) leva à produção do pigmento vermelho. Com este conhecimento será possível definir os genótipos das pelagens preta (Foto 8A) e alazã (Foto 9A).

 

Pelagem Preta: CCBB CCBb

Pelagem Alazã: CCbb

 

Genes da Série D (Dilution)

D,d

A ação do alelo dominante (D), desta série, é provocar diluição na tonalidade da
pelagem, agindo na intensidade de produção e distribuição do pigmento produzido. Assim, animais que possuírem esse alelo na forma dominante (D) terão menor produção de pigmento melânieo. Seu efeito é somativo, ou seja, na forma dominante homozigota (DD) haverá menor produção de pigmento que na forma dominante heterozigota (Dd).
A combinação dos alelos desta série com os genótipos até agora apresentados trará como conseqüência os seguintes fenótipos e genótipos:
A literatura admite a possibilidade do alelo D só se manifestar no fenótipo dos eqüinos (cavalos e éguas) que tiverem o A no genótipo. Essa hipótese explica a ocorrência da pelagem Pêlo de Rato apenas nos asininos (jumentos) e muares (burros e mulas).

Genes da Série E_ (Extension)

E, e, ED
O alelo E é um fator de extensão, e determina que o pigmento produzido seja uniformemente distribuído em toda extensão do corpo. Sua ação é antagônica à do alelo A, pois este determina clareamento em regiões específicas e aquele, que o animal seja uniformemente pigmentado. Portanto, o E é hipostático sobre o A, ou seja, na presença do A ele não se manifesta no fenótipo do animal. O eqüino poderá ser portador do E e conseqüentemente transmiti-lo à prole, mas não saberemos identificar a presença desse alelo no seu genótipo pela observação de sua pelagem.

O alelo recessivo (e) restringe a distribuição do pigmento na cabeça. Nas demais regiões do corpo, alguns pigmentos pretos tornam-se vermelhos e os vermelhos passam a ter tonalidade amarelada.

Como exemplo da ação de E e e nos genótipos e fenótipos já conhecidos, temos:

O alelo ED é um mutante da série E. Sua ação é produzir superabundância de pigmento, que será uniformemente distribuído por toda extensão do corpo. Tem efeito epistático sobre A, ou seja, na sua presença o A não se manifesta. Assim, no acasalamento de animais de pelagem preta comum, oriundos do genótipo aaB_E_ poderá ocorrer nascimento de potros de pelagem preta ou alazã. No entanto, quando os reprodutores pretos forem portadores do alelo ED (preta azeviche), pode-se esperar desse acasalamento a ocorrência também da pelagem castanha. O preto (B ED poderá carrear o alelo A sem que este se manifeste no fenótipo. Os portadores do E possuem intensa pigmentação na pelagem e seu efeito traz como conseqüência as seguintes variedades:

 

 

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